quarta, 02 janeiro 2019 11:54

Urologia: “Portugal tem investigação da qual se deve orgulhar”

O papel da genética e da epigenética na Uro-Oncologia foi o tema da segunda sessão do Simpósio, moderada pela investigadora principal do grupo Epithelial Interactions in Cancer do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, Dr.ª Joana Paredes. Em entrevista, a especialista destacou a excelente qualidade da investigação que é feita, a nível nacional, no domínio da Urologia.

My Oncologia (MO) | Qual o papel da genética e da epigenética no diagnóstico e tratamento das neoplasias do foro urológico?

Joana Paredes (JP) | A genética e a epigenética têm influência na evolução da doença, independentemente do tipo de cancro. O nosso desafio, enquanto investigadores desta área, é o de procurar identificar que alterações genéticas ou epigenéticas são potencialmente mais condicionantes de progressão, nos diferentes tipos de cancro. Há muito tempo que sabemos que as alterações genéticas e epigenéticas estão na base da carcinogénese da maioria das neoplasias que conhecemos. A sequenciação do genoma de milhares de cancros humanos permitiu-nos descobrir uma série de mutações em determinados genes que controlam o epigenoma. As alterações do epigenoma contribuem para a carcinogénese, podendo perturbar as funções de reparação do ADN, por exemplo. Existem várias alterações genéticas que já funcionam como alvos terapêuticos para vários fármacos que são usados atualmente na clínica. No caso das neoplasias do foro urológico – e mais concretamente no caso do cancro da bexiga – sabemos que a quantidade de mutações genéticas está associada a uma melhor resposta à imunoterapia.

MO | O 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia foi uma reunião voltada para o futuro. No seu entender, quais são os desafios futuros no plano da investigação e da clínica em Uro-Oncologia?

JP | Será fundamental conseguirmos estratificar cada vez melhor os doentes que vão responder de forma eficaz à terapêutica, neste caso à imunoterapia. Sabemos que apesar de a imunoterapia estar indicada no tratamento do cancro da bexiga nem todos os doentes vão responder da mesma forma, pelo que é importante melhorarmos o nosso conhecimento nesse sentido. Para além de melhores outcomes no que concerne ao tratamento, permitirá, consequentemente, uma diminuição dos custos associados à terapêutica.

O diagnóstico precoce, a estratificação dos doentes em risco de progressão, a resistência aos tratamentos, a monitorização da evolução da doença e o follow-up dos doentes para determinação de recaída são os desafios futuros que teremos que abraçar.

MO| Portugal tem acompanhado a evolução no que à investigação em Urologia diz respeito?

JP | Em Portugal, na área da Urologia, temos uma investigação da qual nos devemos todos orgulhar. A título de exemplo: o grupo liderado pela Dra. Paula Soares, no i3S/Ipatimup, tem feito investigação na área do cancro da bexiga e ela foi, inclusivamente, uma das oradoras neste Simpósio. O seu grupo identificou mutações no promotor do gene da telomerase (TERT) como sendo um evento frequente em melanomas esporádicos e familiares, gliomas, cancro da tiroide e cancro da bexiga. A presença destas mutações associa-se a uma maior agressividade tumoral e a uma pior sobrevida dos doentes. Com bases nestas descobertas, discute-se neste momento o valor da telomerase como um novo biomarcador com impacto no prognóstico dos doentes e como possível alvo terapêutico.

MO | Qual a importância de iniciativas como o 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia?
JP | Iniciativas como este 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia são cruciais para fazer a ponte entre investigação e clínica. Reuniões como esta são um espaço privilegiado para que a classe médica possa partilhar com os investigadores aquelas que são as necessidades e dificuldades sentidas no terreno, de forma a que a investigação se debruce precisamente sobre estes problemas.

 

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