terça, 12 setembro 2017 11:25

Dr.ª Ana Raimundo: “A imunoterapia é a forma mais eficaz de tratar o melanoma maligno”

O melanoma é o tipo de cancro cutâneo mais grave, sendo responsável por aproximadamente 80% das mortes por cancro da pele. Apesar da diversidade de campanhas de sensibilização que todos os anos inundam o verão, anualmente surgem cerca de mil novos casos da doença, num fenómeno que, segundo a Dr.ª Ana Raimundo, coordenadora da Oncologia Médica do Instituto CUF de Oncologia no Hospital CUF Infante Santo, se deve “às alterações das características da nossa atmosfera” que acontecem num ritmo mais acelerado que "a mudança de hábitos da população”.

Portugal oferece um clima mediterrânico e vários quilómetros de costa. As férias à beira mar são prática comum entre as famílias portuguesas, com a constante companhia do sol, uma prática que “deve servir como argumento de reforço na prevenção e sensibilização da população portuguesa”, afirma a especialista.

Apesar de nos últimos anos se ter "verificado uma tendência positiva na adoção de comportamentos responsáveis perante o sol, o que significa que as pessoas estão mais sensíveis e alerta e, consequentemente, que as campanhas realizadas têm transmitido parcialmente as mensagens”, dados disponíveis revelam que a incidência deste tipo de cancro de pele tem aumentado de forma rápida e consistente ao longo dos últimos 30/40 anos. Para a especialista, a justificação é simples: “O risco de exposição aos raios ultravioleta tem aumentado, nos últimos anos, devido às alterações das características da nossa atmosfera, num ritmo mais acelerado que a mudança de hábitos da população, verificando-se, também, ainda alguma negligência”. "O aumento da incidência de melanoma resulta assim de uma conjugação de vários fatores”, conclui.

Relativamente à terapêutica, a Dr.ª Ana Raimundo esclarece que a maioria dos casos de melanoma, “quando diagnosticados numa fase inicial”, “são 100% curáveis”. Quanto às opções terapêuticas, além da cirurgia, “os doentes com melanoma em estadio mais avançado ou com metastização à distância”, têm à sua disposição os tratamentos sistémicos, “isto é, que se espalham e atuam em todo o corpo destruindo as células do melanoma”. Falamos, atualmente, de dois tipos principais de tratamento: as terapêuticas-alvo e a imunoterapia, “que veio revolucionar a Oncologia”, defende.

Conforme explica a especialista, "as terapêuticas-alvo, administradas por via oral, atuam sobre as proteínas intracelulares importantes para o crescimento das células de melanoma, bloqueando o seu funcionamento e parando a sua multiplicação - os chamados inibidores BRAF e inibidores MEK". No entanto, "sabe-se que estas terapêuticas-alvo só são eficazes quando as células de melanoma têm uma alteração - a chamada mutação BRAF - e só quando esta mutação está presente é que está indicada a sua utilização".

“A imunoterapia é a forma mais eficaz de tratar o melanoma maligno”, começa por explicar a médica oncologista. “O pembrolizumab utiliza o sistema imunitário para destruir as células tumorais, que são eficazmente reconhecidas como estranhas”. Na última década, ocorreu um progresso imenso no conhecimento dos mecanismos que as células tumorais utilizam para escapar à vigilância do sistema imunitário, impedindo, assim, a metastização. “Foram desenvolvidas novas formas de imunoterapia que estimulam os linfócitos T (as células principais na defesa contra os tumores) a reconhecerem e destruírem as células tumorais”, esclarece a Dr.ª Ana Raimundo.

“Atualmente, sabe-se que existem moléculas à superfície dos linfócitos T que controlam a sua proliferação e atuação contra as células tumorais – CTLA-4 (cytotoxic T lymphocyte antigen-4) e PD-1 (programmed death-1). Estas moléculas são necessárias para reduzir a proliferação descontrolada dos linfócitos T, quando existe um estímulo antigénico estranho, de modo a evitar fenómenos de autoimunidade (destruição das próprias células normais) ”. Nas palavras da Dr.ª Ana Raimundo, o recente “sucesso clínico em Oncologia” deve-se à produção de anticorpos que, ligando-se às moléculas presentes na superfície dos linfócitos T (CTLA-4 e PD-1), evitam que estas funcionem como “travões” da sua ativação e atuação. “Assim, os linfócitos T proliferam mais, e são mais ativos, contra as células tumorais. São os chamados inibidores dos pontos de controlo do sistema imunitário”.

Por fim, a oncologista realça que "o pembrolizumab é um checkpoint que está indicado para o tratamento do melanoma avançado (irressecável ou metastático) em adultos" e refere que se "obtiveram respostas de longa duração e impacto estatisticamente significativo na sobrevivência dos doentes" e "uma melhoria da qualidade de vida".

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