segunda, 14 maio 2018 17:41

Especialistas debatem inovações no diagnóstico e tratamento do cancro do pulmão

As 2.ªs Atualizações em Cancro do Pulmão decorrem já no próximo dia 25 de maio, no auditório B da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, numa iniciativa organizada pela Academia CUF. O evento, que conta com o apoio científico do Instituto CUF de Oncologia, traz a Portugal convidados internacionais, para debater as inovações recentes nas áreas do diagnóstico e tratamento do cancro do pulmão. O My Oncologia conversou com o Dr. António Bugalho e com a Dr.ª Bárbara Parente, responsáveis pela organização do evento. 

My Oncologia (MO) | Nas últimas décadas, têm sido desenvolvidas várias tecnologias no campo do diagnóstico de doenças oncológicas torácicas. Uma das palestrantes convidadas para as 2.as Atualizações em Cancro do Pulmão, a Prof.ª Doutora Maren Schuhmann, irá explorar a importância das técnicas de diagnóstico. Como classifica a importância dos métodos de diagnóstico endoscópico de nódulos pulmonares na investigação dos doentes com suspeita de cancro do pulmão (CP)?

O correto diagnóstico do cancro do pulmão é fundamental, de forma a delinear uma estratégia terapêutica que se pretende célere e eficaz. A tomografia computorizada (TC) de tórax, nomeadamente com protocolo de baixa dose de radiação, permite a identificação de múltiplos nódulos pulmonares (benignos e malignos) que, quando detectados precocemente, possibilitam uma redução da mortalidade por cancro do pulmão, de acordo com os dados publicados pelo National Lung Screening Trial. Os profissionais de saúde nesta área (pneumologistas, cirurgiões torácicos, radiologistas, oncologistas, entre outros) têm de decidir qual a melhor forma de esclarecer a etiologia dos nódulos observados. Quando existe uma probabilidade intermédia ou elevada de que um destes nódulos possa corresponder a atipia pulmonar, a investigação médica debate-se com alguns problemas na aquisição de material histológico ou citológico, dos quais se salienta o tamanho do nódulo (nódulos pequenos são mais difíceis de localizar e biopsar), a sua localização (nódulos no terço intermédio do pulmão são mais difíceis de abordar) e o seu tipo (sólido, vidro despolido ou misto). Da conjugação destes e de outros fatores resulta a decisão clínica. Nos últimos anos os avanços tecnológicos e técnicos têm permitido uma melhor abordagem destes nódulos. A Prof.ª Doutora Maren Schuhmann trabalha num serviço de referência mundial, onde muitos dos novos equipamentos são testados e validados cientificamente. Vai-nos falar acerca dos diversos métodos endoscópicos guiados por sistemas de navegação - existentes e em fase de experimentação - que permitem, na maioria das circunstâncias, aumentar a rentabilidade diagnóstica, caraterizando os nódulos de forma minimamente invasiva e segura.

MO | Qual o papel da endoscopia no tratamento paliativo em doentes com CP? E que impacto representa na qualidade de vida destes doentes?

O tratamento paliativo endoscópico pode ser necessário em situações específicas nos doentes com cancro do pulmão. É mais frequente em estadios avançados e sobretudo quando a neoplasia se localiza a nível da via aérea central. Pretende reverter sintomas respiratórios incapacitantes, como por exemplo estridor, dispneia ou hemoptises.

A Pneumologia de intervenção é a subespecialidade que executa este tipo de tratamento, envolvendo a conjugação de técnicas como a broncoscopia rígida com desobstrução mecânica, laserterapia, coagulação árgon-plasma, crioterapia, colocação de próteses endobrônquicas, braquiterapia, entre outras. Um correto planeamento da estratégia a adotar é vital para o sucesso da terapêutica paliativa, sendo a sua eficácia imediata na maioria dos nossos doentes. Existem inúmeras publicações científicas que documentam de forma objetiva o importante impacto terapêutico e melhoria significativa na qualidade de vida dos doentes com cancro do pulmão avançado.

MO | As novas tecnologias de Next-generation sequencing (NGS) surgiram como uma ferramenta de ampla aplicação em várias áreas da investigação e da Medicina. Quais são as mais-valias da informação obtida por NGS no diagnóstico de CP?

O sequenciamento de nova geração (NGS) engloba um conjunto de marcadores que permite a identificação de várias alterações moleculares. Sem aumento dos tempos de resposta, relativamente ao estudo do painel padrão que testava apenas mutações EGFR, ALK ou ROS1, abre novos horizontes com potencial para detecção de outras mutações ou rearranjos. Algumas destas alterações já possuem fármacos aprovados e outras poderão ser incorporados em ensaios clínicos, aumentando desta forma o número de doentes com carcinoma de não pequenas células do pulmão em estadios avançados que podem beneficiar em primeira linha de uma terapêutica dirigida, personalizada, com melhores taxas de resposta e prognóstico, conduzindo a um aumento progressivo da sobrevivência nestes doentes.

MO | Considera que a técnica NGS possibilita a otimização do tratamento de alguns doentes com CP, mesmo em presença de drivers oncogénicos menos frequentes?

No cancro do pulmão de não-pequenas células avançado as opções terapêuticas atuais englobam a quimioterapia sistémica, as terapêuticas dirigidas e imunoterapia. A estratégia terapêutica baseia-se na avaliação das mutações clinicamente relevantes anteriormente referidas, que permitem orientar para o tratamento apropriado. Nos últimos anos o aumento do conhecimento das técnicas de biologia molecular veio revolucionar o diagnóstico e tratamento nesta neoplasia, identificando novas mutações e mostrando o aparecimento de mutações de resistência a fármacos, permitindo cada vez mais o seu uso criterioso. Múltiplos estudos demonstram a eficácia desta estratégia face às ferramentas tradicionais, permitindo oferecer aos doentes tratamentos individualizados dirigidos não ao “cancro do pulmão” mas sim à sua “doença neoplásica específica do pulmão”, mesmo na presença de alterações genéticas menos frequentes.

MO | Que outros ganhos as Unidades CUF obterão com a introdução destas tecnologias inovadoras, face aos métodos de diagnóstico existentes?

O Instituto CUF Oncologia procura proporcionar aos doentes com cancro do pulmão os melhores recursos técnicos e humanos disponíveis. Ao mesmo tempo existe um componente de investigação que se encontra em desenvolvimento. A introdução de tecnologias inovadoras, validadas e com repercussão clínica, permite uma melhor caraterização do tumor e individualização do tratamento, com claros benefícios para o doente. 

MO | Como perspetiva o futuro do diagnóstico e do tratamento do CP, tendo em conta os últimos avanços que se têm registado nesta área?

No presente momento, o cancro do pulmão ainda é a neoplasia com maior mortalidade a nível mundial, representando 27% das mortes por cancro. A sobrevivência é de cerca de 16% aos cinco anos.

Toda a comunidade científica está focalizada na optimização dos recursos existentes e na identificação de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento eficazes. Os objetivos futuros passam por prevenir a doença promovendo hábitos saudáveis na população geral, desde fases precoces da vida, estimulando a abstinência tabágica e diminuindo o risco de cancro.

A nível do diagnóstico, pretende-se a identificação precoce de nódulos potencialmente malignos, com implementação de programas simples, eficazes e não-invasivos de rastreio. Tal terá seguramente repercussão na identificação de estadios menos avançados da doença neoplásica, com maior possibilidade de cura.

Nos últimos anos, com o aparecimento da imunoterapia (nesta altura já com a aprovação em doença avançada quer em primeira quer em segunda linha), surgiu uma nova esperança no tratamento deste tipo de tumores, que se espera que venha a modificar o prognóstico do cancro do pulmão, tornando-o cada vez mais numa doença crónica. No presente, a combinação da quimioterapia com a imunoterapia são encaradas com enorme expectativa no tratamento do cancro do pulmão esperando-se que em breve possa ser utilizada igualmente em estadios mais precoces da doença.

Também a moderna Radio-Oncologia e as técnicas cirúrgicas praticadas nas diferentes Unidades CUF permitem oferecer ao doente as melhores práticas.

O contínuo estudo da biologia molecular no cancro do pulmão dará seguramente frutos, possibilitando o desenvolvimento de novos fármacos, que isolados ou em associação com os existentes evitarão progressão da doença ou recidivas. A nossa aposta na área de investigação clínica, particularmente com a introdução de ensaios clínicos na prática clínica diária, constitui uma mais-valia, proporcionando a inclusão dos nossos doentes em estudos com terapêuticas inovadoras.

Quem trata cancro do pulmão ambiciona alterar o paradigma da sua sobrevida aos cinco anos, revertendo a doença instalada ou transformando-a numa doença crónica.

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