segunda, 02 julho 2018 17:43

3rd Update in Clinical Oncology: “Mudanças no tratamento das doenças oncológicas têm sido extraordinárias na última década”

Na próxima sexta-feira, dia 6 de julho, realiza-se o 3rd Update in Clinical Oncology, promovido pela Academia CUF e pelo Instituto CUF de Oncologia (I.C.O.), no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP). Em antevisão, a Prof.ª Doutora Bárbara Parente, coordenadora norte do I.C.O, destaca, em entrevista ao My Oncologia, as grandes novidades na abordagem do cancro e que patologias tiveram maior destaque em termos de novas terapêuticas.  

My Oncologia (MO) | Nos últimos anos, registou-se uma marcada evolução no tratamento de doentes com cancro, nomeadamente o impacto da imunoterapia e as terapêuticas-alvo, entre outras inovações. Na sua opinião, que mudanças destaca no tratamento oncológico? E na abordagem do doente?

Prof.ª Doutora Bárbara Parente (BP) | As mudanças no tratamento das doenças oncológicas têm sido extraordinárias na última década. Foi um novo caminho que se abriu para o doente oncológico, particularmente nos doentes com doença avançada onde a quimioterapia era a única resposta possível. Embora hoje em dia a quimioterapia ainda continue a ser uma importante arma para um grande número de doentes, sem dúvida que o aparecimento de terapêuticas “target” veio mudar o paradigma do tratamento de alguns tipos de cancro, particularmente na doença avançada, alterando substancialmente a sobrevida aos 2 e 3 anos. A ambição atual é ver a sobrevida alterada aos 5 anos.

Mais recentemente, o aparecimento das terapêuticas de imunoterapia, cuja eficácia tem vindo a ser afirmada (medicina baseada na evidência) a nível de vários órgãos, como o pulmão, melanoma, rim, tubo digestivo e outros, com taxas de respostas e respostas sustentadas que nos fazem acreditar cada vez mais no sucesso da imunoterapia para uma parte considerável de doentes com caraterísticas e marcadores específicos.

A abordagem do doente, no que concerne ao seu diagnóstico, tem acompanhado em Portugal o uso das terapêuticas ditas inovadoras, permitindo efetuar desde logo não só estudos de biologia molecular, como outros marcadores que podem fazer a diferença no tratamento dos doentes.

MO | No que respeita a sobrevivência global e sobrevivência livre de progressão, quais são os benefícios que estas novas abordagens proporcionam aos doentes? Qual o seu impacto na qualidade de vida?  

BP | Numa primeira fase, naturalmente que os benefícios a nível da sobrevida livre de progressão foram mais rapidamente sentidos e estimularam os investigadores e os clínicos a continuar a investir e hoje já estão à vista benefícios a nível da sobrevida global. Para além destas condições, se o doente poder beneficiar igualmente de maior qualidade de vida estará aqui de facto a chave do tratamento, que passa não só por prolongar-lhe a sobrevida, mas também por aumentar-lhe simultaneamente a qualidade de vida. Estas terapêuticas inovadoras (terapêuticas personalizadas e imunoterapia) apresentam a enorme vantagem de ter muito menos efeitos laterais comparativamente à quimioterapia; não significa que não os tenham e não tenhamos de estar atentos aos mesmos, pois embora menos frequentes, não são desprezíveis.

Em suma, existe cada vez mais a preocupação de um seguimento muito apertado dos doentes e, portanto, a necessidade de um grande conhecimento não só da doença, como dos efeitos laterais. Daí a importância de os doentes serem tratados em Centros de Referência, com a existência de Hospitais de Dia e equipas coesas, com disponibilidade   de apoio aos doentes de 24 sobre 24 horas, bem como de uma boa interação entre toda a equipa, que vai desde a parte, administrativa, à Enfermagem até aos médicos.

MO | Durante muito tempo, houve ausência de terapêutica em vários tipos de cancro. Em que áreas agora se verifica uma maior pujança ao nível de investigação?

BP | Hoje em dia a investigação, embora mais precocemente desenvolvida numa ou noutra área, tende a envolver a grande maioria dos tumores mais frequentes no ser humano. Percebeu-se, por exemplo, no cancro do pulmão o seu potencial mutagénico e, paralelamente, assistiu-se ao desenvolvimento de estudos de biologia molecular, o que    desde logo fez e continua a fazer a diferença no tratamento deste tumor, possibilitando hoje em dia já o uso muito alargado de novas terapêuticas, que, sem dúvida, estão a mudar o paradigma do CPNPC. O mesmo está a acontecer com o cancro do tubo digestivo (gástrico e colorretal), rim, melanoma, cabeça e pescoço, entre outros.

MO | A quem se destina este evento? Além de médicos oncologistas, que outras especialidades estão envolvidas nesta iniciativa?

BP | Este evento é multidisciplinar no seu conceito, como multidisciplinar é cada vez mais o tratamento do cancro em geral. Logo, destina-se a oncologistas, cirurgiões imagiologistas, radio-oncologistas, anatomopatologistas e investigadores na área da Medicina Molecular, oncologistas de órgão, internistas, Medicina Paliativa, bem como médicos de Medicina Geral e Familiar e outros profissionais de saúde com interesse na área da Oncologia e que a nós se queiram juntar.

MO | Nesta terceira edição, quantas pessoas são esperadas? Está limitado ao universo CUF ou é livre a profissionais de outras unidades?

BP | Estas edições têm vindo a crescer em número de participantes. Este ano esperamos entre 300/350 profissionais de saúde de todo o país. Naturalmente que queremos ter connosco não só toda os profissionais de saúde do universo CUF, mas também todos os interessados das áreas profissionais já referidas de outras instituições, pois reputamos da maior importância a troca de experiências entre todos os intervenientes, tendo como objetivo final tratar os nossos doentes o melhor possível, tendo em conta as mais valias que os updates nos podem trazer.

MO | O que representa para si estar a coordenar este evento?

BP | A coordenação deste evento também é multidisciplinar e cada um de nós envolvido neste processo sente, por um lado, uma grande responsabilidade por ter entre nós ilustres palestrantes de reconhecido mérito e, por outro lado, a satisfação de poder participar ativamente num acontecimento que fará crescer cada vez mais a grande família do Instituto CUF Oncologia. 

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