segunda, 05 novembro 2018 12:09

Liga Portuguesa Contra o Cancro debate desigualdades no tratamento oncológico

Com o objetivo fundamental de promover o debate e sensibilizar os profissionais de saúde, a classe política e a comunidade em geral para a importância da prevenção do cancro e defesa dos direitos do doente oncológico e dos seus familiares, o Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) vai realizar o 3.º Congresso Nacional de Prevenção Oncológica e Direitos dos Doentes, nos dias 9 e 10 de novembro na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto.

O cancro é cada vez mais visto como uma doença crónica e Portugal tem atualmente cerca de 500 mil sobreviventes de cancro e perto de 100 mil doentes em tratamento. Apesar da incidência estar a aumentar, a cura e a sobrevivência com grande qualidade de vida são cada vez mais evidentes. No entanto, a LPCC defende que não se verifica um planeamento estratégico de forma a responder ao inevitável aumento da doença, com novos casos e novos doentes nos próximos anos. Além disso, é fundamental combater o problema de raiz, ou seja, apostar na prevenção primária, com a implementação de planos de educação estruturados nas escolas e na comunidade em geral de estilos de vida saudáveis. Depois deste primeiro grande passo, deviam ser criadas estruturas que permitissem um rastreio abrangente, dirigido e de diagnóstico precoce da doença. Apostar na prevenção é, a médio prazo, uma forma do Estado diminuir as suas despesas.

O país tem múltiplas diferenças regionais, mas há uma que "não é aceitável": "A desigualdade de critérios no tratamento dos doentes com cancro", afirma o Dr. Vítor Veloso, presidente da LPCC. Segundo o médico oncologista, "alguns hospitais têm todos os medicamentos, outros não têm e outros ainda recusam-se a dar os mais caros".

A falta de igualdade nos critérios para a seleção das terapêuticas em Oncologia nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a alarmar os responsáveis da LPCC, onde chegam muitos relatos de situações de injustiça no acesso ao tratamento.

Às dificuldades no tratamento, somam-se outras. A Liga está empenhada em resolver os casos sociais de muitos doentes. "Estamos a lutar contra as juntas médicas ignorantes e perfeitamente indignas, pela integração no mercado de trabalho após o tratamento - são cada vez mais os casos em que os doentes podem trabalhar e o empregador tem a obrigação de encontrar uma solução - e pela questão dos seguros, com prémios completamente inacessíveis, tal como os bancos que fazem crédito com juros incomportáveis", sublinha o Dr. Vítor Veloso, e acrescenta: "Há uma dificuldade extrema para o doente oncológico e o nosso gabinete jurídico é uma mais valia, porque muitas vezes os direitos dos doentes são ultrapassados. Os doentes têm medo de se queixarem porque temem represálias por parte das instituições de saúde e por isso não se defendem; por outro lado, muitas vezes desconhecem os seus direitos”.

Neste sentido, o 3.º Congresso Nacional de  Prevenção Oncológica e Direitos dos Doentes pretende ser um espaço de debate, abordando conteúdos como “O papel dos cuidados primários no percurso da doença oncológica”, “Multidisciplinariedade: um caminho na luta contra o cancro”, “Do planeamento da acção à qualidade dos cuidados”, “Do doente à sociedade: as redes que apoiam”, “Do conhecimento dos direitos à utilização dos serviços”, “Da qualidade de vida à morte com dignidade”.

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