terça, 13 novembro 2018 10:22

Iliteracia em relação ao cancro do pulmão continua elevada e atrasa diagnósticos

O cancro do pulmão continua a ser, de acordo com os dados mais recentes, o tumor maligno mais diagnosticado em todo o mundo (11,6% do total de casos) e a principal causa de morte por cancro (18,4% do total). Ainda assim, a Pulmonale - Associação Portuguesa de Luta contra o Cancro do Pulmão não tem dúvidas: “Em Portugal constata-se ainda uma grande iliteracia por parte da população em geral sobre o cancro do pulmão”.

O alerta é deixado em jeito de apelo, para um reforço da sensibilização que permita diagnósticos cada vez mais precoces. Por ocasião daquele que é o mês de sensibilização para esta doença, novembro, a Pulmonale aproveita e divulga a iniciativa “Objetivo Igual, Desafio Diferente”, com a partilha nas suas redes sociais de um vídeo com testemunhos de doentes, realizado com o apoio da AstraZeneca. 

“Desde a identificação dos sintomas, à importância do diagnóstico atempado, aos tratamentos disponíveis, há a necessidade de promover um maior conhecimento junto dos cidadãos”, reforça a direção da Pulmonale. Até porque, acrescenta a pneumologista Dr.ª Bárbara Parente, continua a ser elevada a percentagem de atrasos no diagnóstico, sendo aqui a principal justificação “a falta de sintomas numa fase precoce da doença, o que leva a que o doente procure o médico já numa fase avançada”.

Situação que, reforça a médica, tem impacto no prognóstico. “Nos cerca de 25% dos casos em que o diagnóstico é feito precocemente, o prognóstico é francamente bom aos cinco anos. Quando o doente nos chega numa fase avançada e/ou metastizada, as sobrevidas, apesar de todas as terapêuticas inovadoras atuais, ainda não se alteraram substancialmente aos cinco anos”.

É por isto que a Pulmonale aposta na prevenção, “neste caso do tabagismo. Acabar com o estigma do doente com cancro do pulmão, trazer esta patologia para a agenda dos decisores e dar uma mensagem de esperança aos doentes” são outros dos objetivos do trabalho da associação, que se propõe ainda dar apoio aos doentes e seus cuidadores. “No caso do cancro do pulmão, em que muitas vezes o diagnóstico ocorre quando a doença se encontra numa fase tardia, em que o doente na grande maioria dos casos é ou foi fumador e, como tal, se sente “culpado”, em que se associa esta patologia a um prognóstico pouco promissor, há uma grande tendência para estes doentes se isolarem. Cabe, neste caso, à Pulmonale, promover o empowerment destes doentes, prestar a informação sobre todas as abordagens de tratamento possíveis, esclarecer dúvidas e apoiar os doentes e os seus cuidadores”.

Ainda que o desafio seja diferente para cada doente, o objetivo é o mesmo, confirma a Dr.ª Bárbara Parente. “Tentar fazer um diagnóstico tão precoce quanto possível, para uma boa resposta”. É com isso em mente que se tem fomentado a investigação neste campo, estando “a comunidade científica atualmente focada em todos os avanços terapêuticos e a sobrevida no doente metastizado tem sofrido avanços significativos aos dois, três e já aos quatro anos”.

Um dos maiores avanços tem sido a imunoterapia que, mais do que um caminho para o futuro ao nível dos tratamentos, é já uma realidade. “Os meios de diagnóstico cada vez mais nos oferecem a possibilidade de terapêuticas ajustadas a cada doente, apoiadas em estudos clínicos, efetuando uma medicina baseada na evidência”. De resto, acrescenta a Dr.ª Bárbara Parente, “o cancro do pulmão é um dos tumores onde mais se tem evoluído na área da imunoterapia”, com uma aposta “cada vez mais nas terapêuticas individualizadas, levando o doente mais longe, com melhores taxas de resposta e sobrevidas e, não menos importante, ganhos em qualidade de vida”.

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