segunda, 22 agosto 2016 16:48

Inquérito GESCAT: Especialistas estão mais alertas para o TEV em doentes oncológicos

Depois da realização do primeiro inquérito em 2014, o Grupo de Estudos de Cancro e Trombose (GESTCAT) realizou novo questionário à comunidade oncológica e o Dr. Miguel Barbosa apresentou os resultados. As respostas mostraram uma melhoria do conhecimento dos profissionais sobre os eventos tromboembólicos em doentes oncológicos.

O Dr. Miguel Barbosa, oncologista médico no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, apresentou nos Encontros da Primavera 2016 os dados do segundo inquérito do GESTCAT sobre a abordagem nacional à problemática do tromboembolismo venoso (TEV) associado à doença neoplásica.

Enviado para o e-mail dos profissionais que tratam doentes com doença oncológica, não só oncologistas médicos, o feedback ao inquérito do GESTCAT foi de 88 respostas, com uma média de idade dos respondedores de 36 anos (25- 64 anos). A especialidade mais representada nos profissionais que responderam às perguntas foi a Oncologia Médica (80,7%), seguida da Cirurgia Geral (10,2%), da Medicina Interna (5,7%) e da Radioncologia (3,4%). O orador fez notar que há dois anos a representatividade das outras especialidades foi menor, já que em 2014 cerca de 90% dos médicos respondedores eram oncologistas médicos.

Quando questionados, numa escala de 0 a 10, como avaliavam o impacto destes eventos no decurso do tratamento “é curioso verificar que a esmagadora maioria das respostas apresenta uma classificação superior a 5, sendo que cerca de 80 % das repostas apresenta uma classificação de 7, 8, 9, 10 demonstrando a importância da trombose associada à clinica”, sublinhou o representante do GESTCAT.

Na pergunta relativa à utilização de algum score de risco individual em doentes em ambulatório e a fazer profilaxia para identificar quais os indivíduos que podem beneficiar dessa abordagem Miguel Barbosa reconheceu existir “uma franca evolução relativamente a 2014” quando cerca de 80% dos respondedores reconheceram não usar nenhum tipo de score, sendo que em 2016 essa percentagem desceu para 57,3%. Por outro lado, a percentagem de profissionais que afirmou usar o modelo preditivo de Khorana subiu de cerca de 20% para 38,7%. “É a prova de que há cada vez mais clínicos a considerarem a possibilidade da profilaxia do doente em ambulatório e a usarem o modelo considerado menos imperfeito para tomar a decisão”, frisou o oncologista.

Relativamente ao registo de eventos tromboembólicos, “claramente há um registo” com 84% dos participantes no inquérito a garantir que registam os eventos no diário clínico. Todavia, o especialista defendeu que “seria importante haver um registo nacional destes eventos para que pudéssemos trabalhar com dados em tempo real”.

HBPM colhem as preferências dos clínicos

Relativamente às preferências dos clínicos para a terapêutica anticoagulante, a grande maioria (97,2%) elegeu para tratamento inicial do doente com trombose associada ao cancro as heparinas de baixo peso molecular (HBPM) e nos casos de tratamento prolongado também se verificou uma franca escolha deste grupo terapêutico (82% das respostas).

Outra pergunta onde, segundo o orador, se verificou “uma evolução significativa” nas respostas foi quando se questionou durante quanto tempo se tratava o doente com um evento tromboembólico no decurso de quimioterapia adjuvante, 62,3% dos clínicos afirmou considerar tratar por seis meses.

Nos doentes em quimioterapia paliativa os dados de escolha da terapêutica foram muito semelhantes aos verificados nos doentes a receber quimioterapia adjuvante com a grande maioria doe médicos a preferir as HBPM, sendo que a 65% dos clínicos que participaram no inquérito reconheceu que neste grupo de doentes “seria aceitável manter o tratamento enquanto o doente estivesse também a tratar o cancro, eventualmente para além dos seis meses”.

Relativamente à comparação entre HBPM e antagonistas da vitamina K, a eficácia e segurança e facilidade de uso foram os pontos fortes das heparinas identificados pelos clínicos que responderam ao inquérito, concluiu o oncologista.

Artigo publicado nos Highlights n. 47, Encontros da Primavera 2016

PUB

Planning

Onco Planning

Newsletter

Receba a nossa newsletter.

APOIOS:
.......................

BMSMerckMSDPfizerRocheTakeda Oncology