terça, 04 julho 2017 10:24

Imunoterapia: uma estratégia terapêutica desconhecida dos portugueses

Nos dias 8 e 9 de junho, a Roche promoveu a 9.ª edição da reunião “Personalised Healthcare in Oncology”. Entre os assuntos abordados, foi feita uma reflexão sobre o conhecimento que a sociedade tem acerca da Imunoterapia, numa sessão que contou com a preleção do Dr. António Gomes, diretor da GfK Metris, comentários da Dr.ª Gabriela Sousa, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), e moderação do Prof. Doutor Fernando Schmitt, investigador do IPATIMUP.

A GfK Metris, empresa de estudos de mercado, foi desafiada pela Roche a estudar o conhecimento que a sociedade civil tem acerca da Imunoterapia e a relevância que atribui a esta terapêutica relativamente ao futuro. Para apurar estes dados, foram realizadas 1.264 entrevistas presenciais a uma amostra representativa da população portuguesa.

O Dr. António Gomes apresentou os principais resultados aferidos pelo estudo, começando por revelar que “um em cada dois portugueses não consegue, de uma forma espontânea, dizer qualquer coisa relacionada com a inovação na área da Saúde”. Ainda sobre esta temática, os resultados indicam que “40% dos portugueses não sabem se a Saúde aporta hoje mais inovação em comparação com outros setores da sociedade”; “40% dos portugueses refere que o nível de inovação na área da Saúde é exatamente igual a outros setores”; apenas 3% da população refere que há menos inovação na área da Saúde em relação a outros setores; e 18% acredita que há mais inovação em Saúde do que em outros setores da sociedade.

Aos 18% dos inquiridos que acreditam que há mais inovação em Saúde do que em outros setores da sociedade, foi-lhes perguntado “que exemplos de inovação conhecem”. Segundo o Dr. António Gomes, “a maioria fala, genericamente, de muita investigação, evolução e inovação”, referindo “melhores tratamentos, inovação na área dos equipamentos e inovação na área da Oncologia”, sendo que uma parcela refere “mais meios de diagnóstico e medicamentos mais eficazes”.

Televisão é o meio com maior impacto na disseminação de informação sobre Saúde

Questionados especificamente sobre o seu conhecimento acerca da Imunoterapia, apenas 13% dos inquiridos refere conhecer ou já ter ouvido falar desta terapêutica. Ao invés, 97% dos entrevistados revela já ter ouvido falar da quimioterapia. Apenas 8% da população já ouviu falar de anticorpos monoclonais. O Dr. António Gomes frisou ainda que um em cada quatro dos inquiridos, isto é, 26%, revela “não saber o que é Imunoterapia nem ter interesse em vir a saber”.

Aos 13% dos inquiridos que revelaram conhecer ou já ter ouvido falar sobre Imunoterapia, foi-lhes perguntado a que tipo de patologias associam esta terapêutica. 56% dos entrevistados associa a Imunoterapia à Oncologia/cancro e 22% falam em doenças autoimunes. Contudo, um terço dos inquiridos não consegue especificar concretamente aquilo que sabe sobre a terapêutica.

Aos inquiridos que revelaram saber do que se trata a Imunoterapia, foi-lhes apresentada a seguinte definição acerca desta terapêutica: “a Imunoterapia está atualmente a ser utilizada em tratamentos na área da Oncologia, isto é, em tratamentos de cancros”. Perante esta definição, foi perguntado espontaneamente aos inquiridos que vantagens associam à Imunoterapia, ao qual 36% respondeu “menos efeitos adversos”, 22% respondeu “utilizar o sistema imunitário para combater a doença”, 20% considera este tratamento “mais eficaz do que a quimioterapia” e 10% considera que a terapêutica implica “menos químicos no organismo”.

No que diz respeito às desvantagens que os entrevistados associam à Imunoterapia, 23% “não associa nenhuma desvantagem”, enquanto aqueles que identificam desvantagens consideram que estas estão relacionadas maioritariamente à dificuldade de disseminação do tratamento e o preço. Os efeitos secundários adversos associados à terapêutica são referidos apenas por 4% dos entrevistados.

Outro dos aspetos que este estudo pretendeu avaliar foi através de que meios os inquiridos que referiram saber o que é a Imunoterapia adquiriram esse conhecimento. A maioria dos entrevistados revela que foi através da televisão que ficou a conhecer esta terapêutica. Também as redes sociais, em primeira instância, e os motores de buscar na internet, secundariamente, assumem grande importância na disseminação desta informação.

A mesma definição de Imunoterapia descrita anteriormente foi apresentada aos inquiridos que responderam não saber o que é esta terapêutica. Posteriormente, foi-lhes perguntado se consideravam importante obter mais informação sobre este tratamento, ao qual 74% respondeu “sim”. No que diz respeito aos interlocutores mais pertinentes para a disseminação de informação sobre a imunoterapia, 86% revela ser o médico, 34% refere ser o centro de saúde, sendo que a internet assume menor importância para esta parcela da população inquirida.

Uma vez explicado o que é a Imunoterapia, os entrevistados foram questionados sobre o impacto que anteveem que esta terapêutica possa ter na vida dos doentes oncológicos. 40% revela “não saber o impacto que este tratamento pode ter”, sendo que apenas 1% considera ter um “impacto negativo”, e 52% são da opinião que tem um “impacto positivo”, nomeadamente porque, na sua perceção, a imunoterapia pode representar uma “maior esperança de vida”.

Conceito de quimioterapia enraizado na sociedade civil

Apresentados estes resultados, coube à Dr.ª Gabriela Sousa tecer alguns comentários sobre os mesmos. Transpondo a sua experiência da prática clínica diária, a especialista revelou que, no momento em que é dado a conhecer ao doente o seu diagnóstico oncológico, “a população já tem algum conhecimento sobre os três pilares fundamentais do tratamento do cancro: a radioterapia, a cirurgia e a quimioterapia”. A Dr.ª Gabriela Sousa referiu ainda que “qualquer coisa que o médico faça ou prescreva diferente da quimioterapia, o doente continua sempre a chamar quimioterapia”. Isto porque, segundo a oncologista, o conceito de quimioterapia está “enraizado na sociedade” enquanto tratamento sistémico do cancro.

A Dr.ª Gabriela Sousa concordou que a televisão é o meio de veiculação de informação sobre Saúde com maior impacto na sociedade, defendendo que nem sempre esta informação é transmitida da melhor forma. A especialista acrescentou que, enquanto médica, “não há nada mais gratificante do que ter um doente com literacia sobre a sua doença”, que tenha a capacidade de partilhar consigo “responsabilidades e compromissos”.

Relativamente à Imunoterapia, a Dr.ª Gabriela Sousa destacou que “é uma área em intensa investigação e desenvolvimento” e que poderá ser “uma janela para a cura do cancro”. Assim, a oncologista considera que “começa a ser muito importante que a população obtenha conhecimento sobre esta terapêutica”. Neste sentido, as sociedades científicas têm a responsabilidade de fornecer “formação e boa informação” à população.

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