terça, 21 novembro 2017 12:38

“White Book”: programa visa reduzir o impacto negativo da trombose associada ao cancro

O Grupo de Estudos de Cancro e Trombose (GESCAT) apresenta hoje, dia 21 de novembro, pelas 18h00, na Embaixada da Dinamarca, em Lisboa, o White Book sobre a “Trombose Associada ao Cancro”, que no seu conteúdo reúne um plano de ação que visa aumentar a consciência sobre a situação e reduzir a morbilidade e mortalidade dos doentes oncológicos com esta patologia, através da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Este White Book já foi apresentado na Embaixada Dinamarquesa em Bruxelas, no dia 12 de outubro de 2016, e no Parlamento Europeu, no dia 13 de outubro de 2016.

O objetivo desta iniciativa é o GESCAT fazer a apresentação do White Book português e uma discussão do plano de ação proposto, envolvendo as principais sociedades científicas ligadas a este tema, e os representantes da área política, económica e social do setor.

Para o GESCAT é determinante tomar medidas para reduzir a morbilidade e mortalidade dos doentes com trombose associada ao cancro (CAT), contribuindo desta forma para aumentar a sobrevida, a qualidade de vida e reduzir os custos para o sistema de saúde e para a sociedade. A falta de consciencialização e informação relativa ao impacto da trombose nos doentes oncológicos é o principal obstáculo a ultrapassar.

Os dados do Eurostat mostram que na União Europeia o cancro constitui a principal causa de morte (Eurostat Statistics Explained, May 2017) e a Comissão Europeia estabeleceu como objetivo a redução da mortalidade associada às doenças oncológicas em 15% até 2020.

Apesar da CAT constituir uma das principais causas de morte por cancro, após o próprio cancro, e constituir um gasto económico significativo (os custos do tratamento dos doentes com trombose e cancro é significativamente superior aos dos restantes doentes oncológicos e a sua qualidade de vida inferior), a sua prevenção e tratamento adequado são muitas vezes negligenciadas devido à falta de consciencialização sobre a sua gravidade.

Para o Dr. Sérgio Barroso, médico oncologista e presidente do GESCAT, “sabe-se hoje que as questões relacionadas com trombose e cancro são um problema importante em saúde pública, que se prevê tornar ainda mais relevante no futuro, pelo que se impõe uma reflexão sobre a forma de o abordar, em termos clínicos e económicos. A mensagem “investir para salvar e mais tarde poupar” assume particular importância particularmente no contexto atual de pressão sobre os serviços de saúde para redução de custos”.

Neste sentido, O GESCAT entendeu que era urgente chamar a atenção das entidades responsáveis, profissionais de saúde e sociedade em geral para se conseguir melhorar a prevenção e o diagnóstico precoce e assegurar um tratamento eficaz e seguro da CAT em todos os doentes oncológicos, de forma reduzir a morbilidade e a mortalidade.

“É urgente aumentar a prescrição de tromboprofilaxia nos doentes com cancro. A doença oncológica constitui um fator de risco independente e relevante para o tromboembolismo venoso (TEV), fundamentalmente porque altera o normal equilíbrio do sistema de coagulação do organismo, desviando-o no sentido “pró-coagulante”. Sabe-se hoje que o TEV associado ao cancro é cada vez mais prevalente, estimando-se que cerca de 1/5 de todos os doentes oncológicos terão o diagnóstico de TEV durante a evolução da sua doença”, explica o presidente do GESCAT.

Assim, e especificamente para esta população de doentes, as guidelines internacionais e nacionais são inequívocas e unânimes ao classificar as HBPM como tratamento de primeira linha, devendo ser administradas em monoterapia entre três a seis meses. Sobre esta questão, o Dr. Sérgio Barroso esclarece que, “devido ao elevado risco de recorrência, o tratamento do tromboembolismo venoso no doente com cancro deve ser prolongado ao longo de vários meses e este facto aumenta os custos, afeta de forma adversa a qualidade de vida e aumenta a probabilidade de adiamento e redução da eficácia do tratamento médico dirigido à doença oncológica (como a quimioterapia). A prevenção da trombose associada ao cancro reduz custos com a doença, melhora os resultados e diminui as mortes associadas a esta doença. Os profissionais de saúde responsáveis pelo tratamento do cancro devem proceder à avaliação frequente do risco de TEV específico para cada doente, tipo de tumor e tratamento utilizado”.

“A trombose associada ao cancro, apesar de constituir uma das principais causas de morbidade e mortalidade dos doentes oncológicos, não recebe a atenção suficiente por parte das entidades responsáveis, profissionais de saúde e sociedade em geral. É necessário aumentar a sensibilização de todos os grupos de interesse relativamente ao impacto do TEV associado ao cancro e à necessidade de disponibilizar um diagnóstico precoce, prevenção adequada e tratamento eficaz aos doentes oncológicos com TEV. Os profissionais de saúde devem estar conscientes para o facto do TEV constituir uma possível complicação do cancro e do seu tratamento. Os responsáveis políticos devem ser esclarecidos sobre o custo económico e de saúde pública do TEV associado ao cancro e de como a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz da trombose associada a cancro pode salvar vidas e poupar recursos”, conclui o Dr. Sérgio Barroso.

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