segunda, 08 janeiro 2018 17:26

Estudo internacional avança novos dados sobre a influência do álcool no risco de cancro

Uma equipa de cientistas do Reino Unido analisou os danos genéticos provocados por uma substância química que é produzida quando o organismo processa o álcool. Os resultados, publicados na revista Nature, e avançados em Portugal pelo Público, não enganam: a exposição ao álcool provoca danos genéticos permanentes.

“Alguns tipos de cancro surgem quando existem danos no ADN em células estaminais. Sabemos que alguns destes problemas ocorrem por acaso, mas os resultados do nosso estudo sugerem que beber álcool pode aumentar o risco desses estragos”, refere o Dr. Ketan Patel, cientista do Laboratório de Biologia Molecular do Conselho de Investigação Médica do Reino Unido, em Cambridge, citado num comunicado da instituição Cancer Research UK que financiou parte do estudo. Os cientistas recorreram à administração de etanol em ratinhos e concluíram que a exposição ao álcool provoca danos genéticos permanentes.

Uma das novidades que a investigação trouxe foi o facto de os cientistas terem observado in vivo os animais, depois de terem administrado o etanol. Segundo avança o jornal Público, os animais foram expostos a um “tratamento agudo” com uma dose total de 5,8 gramas de etanol por quilo, dividida em duas injeções, e também a um “tratamento crónico” que consistiu na mistura de etanol diluído na água dos ratinhos durante vários dias, “o equivalente a colocar um ser humano a beber uma garrafa de whisky de 750 mililitros de uma só vez!”, sublinhou o Dr. Ketan Patel.

Os especialistas estiveram particularmente atentos ao comportamento do acetaldeído, o químico que é produzido pelo organismo quando o álcool é processado. Na maioria dos casos, o acetaldeído é um subproduto transitório do álcool que é transformado em energia por uma família de enzimas (ALDH) que, assim, funciona como um mecanismo de defesa. Os resultados mostraram um dos membros desta família - a ALDH2 - tem um papel decisivo neste processo. Segundo concluíram os investigadores, quando esta enzima não estava presente nos ratinhos que tinham sido “embriagados” os danos no ADN quadruplicavam, quando comparados com os animais com esta enzima a funcionar normalmente. Dados que adquirem especial importância sabendo que existem cerca de 540 milhões de pessoas na Ásia que carregam uma mutação no gene ALDH2, o que significa que não conseguem lidar com o acetaldeído.

Assim, as pessoas que apresentam esta mutação enfrentam um risco aumentado em desenvolver cancro esofágico se consumirem álcool, mas os cientistas relembram que mesmo os restantes indivíduos não estão imunes: “O nosso estudo realça que não ser capaz de processar o álcool de forma eficaz pode levar a um risco ainda maior de danos no ADN relacionados com álcool e, portanto, a um risco aumentado de alguns tipos de cancro. Mas é importante lembrar que a eliminação do álcool e os sistemas de reparação do ADN não são perfeitos e que o consumo de álcool pode causar cancro de outras maneiras, mesmo em pessoas que têm estes mecanismos de defesa intactos”, refere Ketan Patel no comunicado.

Depois de chegarem a estas conclusões com base na análise de células estaminais do sangue, os investigadores pretendem verificar se existem outras células estaminais que sejam afetadas de forma semelhante – “particularmente as que estão em tecidos onde sabemos que o cancro se desenvolve após a exposição ao álcool (boca, fígado e mama)”, conclui o investigador.

Fonte: Público

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