sexta, 02 fevereiro 2018 11:28

UMinho propõe terapia para controlar cancro do colo do útero: “Queremos tornar a doença o mais crónica possível”

“Quando falamos em cancro é muito difícil falar de cura, mas podemos controlar o crescimento do tumor e mantê-lo estável durante o máximo tempo possível”. A Prof. Doutora Olga Martinho acredita que a descoberta de que a presença excessiva da proteína HER2 também se verifica em doentes com cancro do colo do útero pode abrir caminho para terapias mais eficazes que não ponham em causa a capacidade reprodutiva da mulher.

Depois de equipas internacionais terem provado que a HER2, uma proteína que tem um papel importante na regulação das células humanas, se encontra alterada no diagnóstico de cancro da mama, o estudo agora publicado na revista Theranostics traz uma novidade ao revelar que estas alterações moleculares também se verificam no cancro do colo do útero. Boas notícias, “no sentido em que já existem fármacos desenhados para atuar contra ela”, avança a cientista do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho (UMinho).

Segundo a Prof.ª Doutora Olga Martinho, sendo uma doença para a qual existe uma forma de rastreio, “e por se tratar de uma doença que é facilmente detetável”, o cancro do colo do útero tem ficado “um pouco esquecido” do ponto de vista da investigação. “No entanto, não podemos descurar que esta é a segunda causa de morte por cancro, nas mulheres, em Portugal, e o segundo tipo tumoral mais frequente em mulheres em idade reprodutiva”, acrescenta. “Estamos a falar em mulheres que querem ter filhos e que, obviamente, a última coisa que querem é tirar o útero. Portanto, o meu objetivo passa por tentar perceber que alterações é que estes tumores têm e que até então não foram descobertos e encontrar uma terapia molecular mais dirigida para o paciente que, por um lado, impeça a remoção do útero e, por outro lado, permita tornar a doença o mais crónica possível”.

No estudo recentemente publicado, intitulado “HER Family Receptors are Important Theranostic Biomarkers for Cervical Cancer: Blocking Glucose Metabolism Enhances the Therapeutic Effect of HER Inhibitors”, o grupo de investigação demonstrou, através de testes in vitro e in vivo, que os medicamentos usados para inibir a proteína HER2 no cancro da mama também são “extremamente eficazes” na redução da agressividade do cancro do colo do útero. Assim, antecipou também um potencial mecanismo de resistência a esta terapia, propondo o uso combinado destes fármacos com bloqueadores do consumo de glucose. Uma combinação que, acreditam os investigadores, vai garantir uma qualidade de vida muito melhor, sem em causa a capacidade reprodutiva da mulher.

“Neste momento seria necessário realizarmos um ensaio clinico que agrupasse, de um lado, as doentes que possuem a mutação e, noutro grupo, aquelas que não apresentam a alteração”. A investigadora principal recorda que o tratamento apenas surte efeito em doentes com alteração na proteína HER2, motivo pelo qual, “infelizmente” as restantes doentes terão que manter o mesmo esquema terapêutico que trouxeram até então.
Os resultados obtidos poderão contribuir num futuro próximo para o aumento da taxa de sobrevivência destes doentes, à semelhança do que aconteceu com o cancro da mama. Além da UMinho, o estudo envolveu a Universidade Federal de Góias, a Universidade de São Paulo e o Hospital de Barretos (todos do Brasil).

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