segunda, 14 maio 2018 17:37

Estudo sugere que amplificação dos centrossomas pode contribuir para o início e progressão de neoplasias

O Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e o Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa) levaram a cabo um estudo em doentes com esófago de Barrett, que permitiu perceber o papel dos centrossomas, estruturas mais pequenas que um fio de cabelo dividido centenas de vezes, no desenvolvimento do cancro do esófago. A investigação, publicada no Journal of Cell Biology, sugere que a amplificação dos centrossomas pode contribuir para o início e progressão de neoplasias. 

As células começam por acumular centrossomas, que desempenham um papel vital na divisão celular, antes de se transformarem em células cancerosas. Segundos os autores do estudo, se percebermos a contribuição dos centrossomas para o processo, poderemos vir a melhorar o tratamento dos doentes. 

A instabilidade genómica criada pelo excesso de centrossomas pode ajudar as células a tornarem-se malignas. “A amplificação dos centrossomas é encontrada em tumores, mas não em células normais, por isso é uma característica interessante a explorar para uma possível intervenção nas áreas do diagnóstico, prognóstico e terapêutica”, explica a Prof.ª Doutora Carla Lopes, do IGC, autora principal da investigação.

A Prof.ª Doutora Mónica Bettencourt-Dias, do IGC, e a Prof.ª Doutora Paula Chaves, do IPO Lisboa, investigaram o papel da amplificação dos centrossomas na tumorigénese, examinando amostras de doentes com esófago de Barrett, condição que aumenta o risco de desenvolvimento de cancro do esófago. No refluxo crónico as células epiteliais que revestem o esófago são substituídas por células geralmente encontradas no estômago e no intestino. Numa pequena percentagem de doentes, essas células "metaplásicas" podem tornar-se “displásicas” e vir a dar origem ao adenocarcinoma do esófago.  Ao estudarem biópsias de doentes em vigilância por esófago de Barrett, as investigadoras puderam perceber que o número de centrossomas vai aumentando nos casos que evoluem para cancro. Assim, centrossomas extra podem ser vistos em células “metaplásicas” e pré-malignas de doentes que vieram a desenvolver carcinoma.

"Dada a ampla ocorrência de mutações e amplificação dos centrossomas em tumores humanos, esta descoberta sobre o calendário e ordenação destes eventos na tumorigénese do esófago de Barrett pode contribuir para o melhor entendimento do papel dos centrossomas noutros tipos de cancro", diz a Dr.ª Marta Mesquita, do IPO Lisboa. 

Consulte aqui o artigo completo. 

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