terça, 28 novembro 2017 12:28

A importância de se incluir o cancro avançado no Registo Oncológico Nacional

Escrito por  Dr.ª Fátima Cardoso, investigadora responsável pelo relatório The Global Status of Advanced/Metastatic Breast Cancer 2005-2015

O Registo Oncológico Nacional (RON) é um registo centralizado que assenta numa única plataforma eletrónica, cuja principal finalidade é reunir e analisar os dados de todos os doentes oncológicos residentes em Portugal continental e nas regiões autónomas. Estes registos permitem monitorizar o trabalho das instituições, a eficácia dos rastreios realizados e das terapêuticas, bem como a epidemiologia, incidência e morbilidade da doença oncológica, dados estes essenciais para a investigação neste campo e para alocar recursos e identificar problemas.

Contudo, nada nos diz sobre a fase metastática da doença. Revela-se agora urgente atualizarem-se estas plataformas com dados que contemplem a fase metastática da doença, pois, aquando a sua criação, a taxa de sobrevida destes doentes era ainda bastante reduzida. Por isso, foi considerado que não era relevante incluir estes dados, uma vez que a data da recidiva estaria muito próxima da data de morte. Porém, a realidade atual é outra e já não se justifica que estes registos contemplem apenas dados relativos ao diagnóstico e à mortalidade.

Segundo o The Global Status of Advanced/Metastatic Breast Cancer 2005-2015, uma das análises mais abrangentes sobre o cancro da mama metastático, desenvolvido pela Escola Europeia de Oncologia (ESO) com o apoio da Pfizer Oncology, existem vários desafios ao nível do panorama científico, entre os quais a necessidade de se alargar o leque de populações estudadas. Hoje em dia, a taxa de sobrevida para doentes com cancro da mama metastático varia entre os três e os cinco anos, pelo que o registo da data da recidiva é um dado fundamental para que seja possível identificar quantas pessoas vivem com a doença oncológica na fase metastática, de forma a alocar os recursos necessários e para que se possa perceber com maior rigor qual o tempo médio de vida depois de se detetarem as metástases.

O aumento do tempo médio de vida deve-se essencialmente aos avanços que se tem vindo a observar ao nível das terapêuticas, no entanto, não sabemos ainda qual a melhor sequência de utilização/administração dessas terapêuticas porque os registos oncológicos não contemplam essa informação. Este registo é assim essencial para a investigação, para que possamos compreender qual o melhor caminho para o tratamento de cada doente individualmente, tanto ao nível da eficácia, como ao nível do impacto na vida do doente.

Este é o momento ideal para incluir no novo Registo Oncológico Nacional os dados relativos às datas e locais de recidiva para que se possam contabilizar todos os doentes que vivem com cancro de mama avançado em Portugal e disponibilizar todos os recursos que estes doentes necessitam. Todas as doentes devem contar, todos são importantes.

 

Artigo de opinião

Dr.ª Fátima Cardoso, investigadora responsável pelo relatório The Global Status of Advanced/Metastatic Breast Cancer 2005-2015 e coordenadora da Unidade de Mama do Centro Clínico da Fundação Champalimaud

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