segunda, 01 outubro 2018 16:12

Prémio Nobel de Medicina 2018 distingue investigações sobre imunoterapia no cancro

O Prémio Nobel de Medicina 2018 na categoria de Fisiologia e Medicina foi esta segunda-feira, 1 de outubro, atribuído aos Profs. Doutores James P. Allison e Tasuku Honjo. Os imunologistas norte-americano e japonês, respetivamente, descobriram novas formas de bloquear os travões do sistema imunitário, que se revelaram muito eficazes no tratamento do cancro. Segundo o comité do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), trata-se de “um novo paradigma na luta contra o cancro”. O Prémio tem um valor de nove milhões de coroas suecas (cerca de 871 mil euros).

“O Prémio Nobel deste ano assinala um marco na luta contra o cancro”, anunciou o comité do Nobel, acrescentando que as investigações dos dois galardoados representam uma mudança de paradigma. “É um princípio totalmente novo. Neste caso, em vez de ter como alvo as células cancerosas, estas abordagens usam os travões das células do nosso sistema imunitário para travar o cancro”. A descoberta premiada aproveita assim a capacidade do nosso sistema imunitário de atacar as células cancerosas estimulando-o e bloqueando os “travões” das células do sistema imunitário, os linfócitos T. Com esta “avaria” dos travões, o sistema imunitário acelera-se, investindo rapidamente nas células cancerosas.

O Prof. Doutor James P. Allison, do Centro para o Cancro M.D. Anderson da Universidade do Texas, em Houston, estudou uma proteína, a CTLA-4, que funciona como um travão no sistema imunitário. Já o Prof. Doutor Tasuku Honjo, da Universidade de Quioto, investigou uma outra proteína, a PD1, e mostrou que ela também funciona como um travão, mas com um mecanismo de ação diferente. Usando anticorpos nestas duas moléculas é possível “avariar” os travões e fazer com que o sistema imunitário ganhe em força e velocidade. As duas terapias, que se complementam, mostraram-se surpreendentemente eficazes na luta contra o cancro, com resultados comprovados em tumores como o melanoma, cancro dos pulmões e dos rins.

“Até às descobertas feitas pelos premiados da Medicina de 2018, o progresso no desenvolvimento clínico foi modesto”, considerou o comité do Nobel, sublinhando que são os “resultados fantásticos” das investigações que justificaram a escolha. A terapia de controlo (checkpoint) imunitário, como é conhecida, revolucionou o tratamento do cancro e mudou fundamentalmente a maneira como encaramos esta doença.

Segundo o comité do Nobel, das duas estratégias de tratamento, a terapia de checkpoint contra a PD-1 tem mostrado ser mais eficaz e resultados positivos estão a ser observados em vários tipos de cancro, incluindo dos pulmões, rins, linfoma e melanoma. Por outro lado, há novos estudos clínicos que parecem indicar que a terapia combinada, tendo como alvo a CTLA-4 e a PD-1, pode ser ainda mais eficaz. “Esta combinação mostrou bons resultados em doentes com melanoma. Mas há muitos outros testes de terapias de checkpoint imunitário que estão a ser feitos em muitos tipos de cancro e há também novas proteínas que funcionam no controlo do sistema imunitário que estão a ser objeto de investigação como possíveis alvos”.

 

Fonte: Público

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