terça, 19 setembro 2017 12:29

AWGP apresenta consensos sobre aplicação do Patient Blood Management em Oncologia

O Patient Blood Management (PBM) consiste na utilização científica, segura e eficaz de técnicas médicas e cirúrgicas concebidas para prevenir a anemia e diminuir a hemorragia, visando a melhoria do estado global do doente. Uma prática recorrente em diversas áreas cirúrgicas e que começa agora a ser abordada no âmbito da Oncologia. Para contribuir para uma discussão baseada em evidência científica, o Anemia Working Group Portugal (AWGP) apresentou um documento de consenso sobre a aplicação desta técnica nos doentes oncológicos.

Para além de visar a melhoria dos resultados em saúde dos doentes, o PBM está também associado a um menor consumo de recursos de saúde, nomeadamente componentes sanguíneos, e à redução de custos hospitalares.

O “Documento de Consenso sobre a aplicação do Patient Blood Management em Oncologia” resultou da discussão entre especialistas de diversas áreas e aborda a utilização desta técnica em doentes portadores de tumores sólidos ou líquidos. De acordo com a pesquisa realizada, 32 a 60% dos doentes oncológicos apresentam deficiência de ferro, sendo que a maioria destes casos apresenta anemia. Uma condição que, no quadro da doença oncológica, pode ter múltiplas causas, desde a própria doença, o tratamento ou mesmo deficiências nutricionais.  Por essa razão, a anemia relacionada com a doença oncológica é, na maioria das vezes, subdiagnosticada e subtratada.

A aplicação do PBM nos doentes oncológicos deve ter em conta as características particulares da anemia, que pode ser associada ao cancro ou induzida pela quimioterapia. Assim, os autores do documento defendem a importância de uma correta interpretação do hemograma, dos reticulócitos em número absoluto, dos parâmetros do metabolismo do ferro (ferro sérico, capacidade total de fixação do ferro, ferritina, taxa de saturação da transferrina), proteína C-reativa (PCR), vitamina B12 e folatos.

A propósito do tratamento, o Documento apresentado pelo AWGP refere que apesar de o ferro oral ser frequentemente prescrito, este não fornece ferro biodisponível com a rapidez necessária nestes doentes. Assim, os especialistas defendem a suplementação com ferro endovenoso, por apresentar maior eficácia. Sobre a utilização de agentes estimuladores da eritropoiese (ESA), os especialistas entendem que estes devem ser reservados aos doentes com anemia induzida e em concomitância com o ferro endovenoso.

O Documento refere ainda que a possibilidade de se registar sistematicamente a informação decorrente da avaliação dos parâmetros analisados nos doentes oncológicos para posterior análise poderá assumir extrema importância na resposta a questões como a sobrevivência livre de progressão, a sobrevivência global, o tempo até à progressão do tumor, a taxa de resposta global, transfusões de CE e eventos vasculares trombóticos.

Em conclusão, o Documento defende que deve ser feito o reconhecimento e diagnóstico precoce da deficiência de ferro e da anemia, a avaliação das reservas de erro em todos os doentes, a identificação de défices de vitamina B12 e de ácido fólico e respetiva correção. O documento propõe um algoritmo para a terapêutica, na qual deve ser feito o tratamento da deficiência absoluta e funcional de ferro e o tratamento adequado da deficiência de ferro com ferro endovenoso, sendo que em doentes com anemia induzida pela quimioterapia sem intuito curativo, os ESA poderão ser utilizados em concomitância com o ferro endovenoso.

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