segunda, 06 agosto 2018 15:29

Medicina personalizada nos próximos 10 anos

Por ocasião da 10.º Edição da reunião Personalised Healthcare in Oncology, decorrida nos dias 7 e 8 de junho, no edifício da Roche, o Prof. Doutor Fernando Schmitt, na conferência de abertura, abordou a temática da medicina personalizada nos próximos 10 anos.

O Prof. Doutor Fernando Schmitt, professor de Patologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e diretor da Unidade de Patologia no IPATIMUP, iniciou a sua apresentação relembrando algumas das suas previsões feitas há 10 anos e que são hoje uma realidade: a proposta de que o HPV poderia ser a 1.ª linha de rastreio do cancro do colo do útero (Longatto-Filho A et al. Diagnostic Cytophatology, 2007), a necessidade de acreditação dos laboratórios de anatomia patológica e a sugestão de que o ISH substituiria o FISH na análise da amplificação do HER2 (Ricardo S et al. J Clin Pathol, 2007).

“O objetivo da medicina personalizada é proporcionar ao indivíduo a terapêutica adequada para a sua doença, com base no seu contexto genético, ambiental e estilo de vida”, explicou o especialista. Este conceito surgiu no final do século XX, início do século XXI, quando o avanço das tecnologias, a par com o avanço informático, levou à ambição de se entender a complexidade da doença, prever e personalizar o tratamento. A análise do genoma por sequenciação do exoma ou de todo o genoma tumoral é possível com a ajuda do Next Generation Sequencing (NGS). “A deteção de mutações numa grande quantidade de genes ao mesmo tempo, assim como de translocações ou variações de cópias do gene, tudo com 10ng de ADN é um avanço extremamente importante”, sublinhou o palestrante. Outra técnica inovadora, juntamente com a NGS, é a biópsia líquida, que tem o potencial de permitir a deteção precoce do cancro, a monitorização da terapêutica em tempo real e a deteção de alvos terapêuticos e de mecanismos de resistência, bem como determinar o risco de recidiva metastática, com base na análise da ADN tumoral circulante e/ou de células tumorais circulantes. “A biópsia líquida está nos seus passos iniciais, mas provavelmente vai melhorar muito nos próximos anos”, salientou. Na era da Oncologia derivada do genoma, “ao invés de selecionarmos um doente porque tem um melanoma ou um cancro da próstata ou da mama ou do pulmão, selecionamos em função de uma alteração molecular comum a todos esses doentes que possa ser tratada”, são os chamados ensaios clínicos ‘basket’. No ano passado, “foi aprovado, pela primeira vez, pela FDA, um fármaco, anti-PD-1, para todos os tumores sólidos que tenham instabilidade de microssatélite e, provavelmente, mais cinco fármacos ‘pan-cancer’ serão aprovados em 2018”.

Todas as pessoas têm um código genético diferente, pelo que, um fator importante na medicina personalizada é o estudo da farmacogenética, dado que “a farmacocinética e a farmacodinâmica dependem da variação genética”. Outro fator relevante é a análise da história familiar, que só é possível através da criação de uma base de dados que permita o cruzamento dos dados de diversas pessoas, comprometendo a proteção da privacidade individual. Assim, “a medicina personalizada levanta alguns problemas éticos e é necessário encontrar-se um balanço, de forma a não se comprometer a investigação”.  A avaliação da resposta imunológica e do microbioma do indivíduo também contribuem para a medicina personalizada. Por exemplo, Brian Goodman et al. (J Pathol, 2018) demonstrou que “há várias espécies bacterianas relacionadas com diferentes tipos de cancro, e que se consegue identificar agora, inclusive o mecanismo de carcinogénese pelas quais estas espécies atuam nas células humanas”. Além disso, também foi mostrado que “o microbioma do intestino altera a resposta imunológica e promove a inflamação no sítio do tumor”. Por essa razão, “num indivíduo que vai fazer imunoterapia, sugere-se que não esteja a tomar antibiótico para não alterar a flora microbiana”. Para a medicina personalizada ser cada vez mais afinada é necessário recorrer ao uso da inteligência artificial para a análise de um grande volume de dados.

Na opinião do especialista, “nos próximos 10 anos a medicina personalizada tem que ser discutida com a indústria farmacêutica, companhias de seguro e governo, para que os gastos façam sentido e o benefício dos doentes esteja em primeiro lugar”. O palestrante terminou citando Stephen Hawking: “não é possível prever o futuro”, apesar de acreditar que o número de especialidades a praticar a medicina personalizada vais crescer de forma pronunciada.

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